Projecto ActionFirst™ em Moçambique promove validação das Matrizes de Impacto para reforçar o Aviso Prévio Baseado no Impacto

Boane, 24 de Julho de 2026
O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), através dos Serviços Centrais de Previsão Meteorológica, no âmbito da implementação do Projecto ActionFirst™ em Moçambique, está a realizar um workshop entre os dias 23 e 24 de Julho de 2026 no distrito de Boane, província de Maputo.
A iniciativa ActionFirst™ em Moçambique foi lançada no contexto do reforço do Sistema de Aviso Prévio no país e culminou com a elaboração do Plano Nacional de Co-produção do Aviso Prévio, que estabelece uma abordagem colaborativa entre as instituições técnicas, os sectores utilizadores e as comunidades na produção e utilização da informação de risco.
Na sequência das recomendações do workshop de lançamento da iniciativa, foi realizada uma sessão de co-produção para a elaboração das Matrizes de Impacto.
A co-produção tem como objectivo construir um entendimento compartilhado sobre Previsão Baseada em Acção (PBA) e Alertas Baseados em Acção (ABA) entre as partes interessadas; identificar as necessidades, capacidades e prioridades de acção antecipada de usuários vulneráveis em áreas de alto risco por meio da co-produção comunitária focada e, reforçar a comunicação e a acessibilidade dos alertas através da revisão, co-criação e teste de mensagens de alerta orientadas para a acção e abordagens de disseminação.
Como etapa subsequente deste processo, decorrem sessões técnicas de validação com a participação das comunidades e dos principais intervenientes locais, permitindo incorporar o conhecimento e a experiência das populações mais expostas aos riscos.



As sessões têm como principal objetivo validar, de forma participativa, as Matrizes de Impacto elaboradas, assegurando que os cenários de risco, os impactos previstos e as respetivas acções de resposta reflictam a realidade local. Pretende-se, deste modo, aumentar a eficácia da Previsão meteorológica baseada no Impacto, promovendo respostas mais atempadas, coordenadas e orientadas para a protecção de vidas e bens.
O workshop reúne cerca de 40 participantes, provenientes de diferentes instituições nacionais, nomeadamente:
- INAM;
- ARA SUL;
- INGD;
- Ministérios sectoriais relevantes;
- Organizações humanitárias;
- Agências das Nações Unidas e
- Parceiros técnicos e de desenvolvimento.



A realização desta actividade representa mais um passo importante no fortalecimento da cooperação entre as instituições técnicas, as autoridades locais e as comunidades, contribuindo para o desenvolvimento de um sistema de aviso prévio mais inclusivo, participativo e orientado para a acção, em consonância com as boas práticas internacionais de redução do risco de desastres.
Durante o workshop, foi igualmente destacada a importância da integração das abordagens de Género, Equidade, Deficiência e Inclusão Social (GEDSI) na implementação do PBA. Os participantes defenderam que um sistema de aviso prévio eficaz deve ser inclusivo, garantindo que a informação sobre os riscos seja acessível a todas as pessoas, independentemente do género, idade ou condição de deficiência.
As discussões enfatizaram a necessidade de desenvolver mecanismos de comunicação acessíveis, incluindo sistemas de alerta em áudio, texto e língua gestual, bem como de criar espaços seguros para mulheres, crianças e outros grupos em situação de maior vulnerabilidade durante situações de emergência.

Os participantes destacaram ainda a necessidade de reforçar as capacidades das equipas de resposta em matérias de inclusão, deficiência e igualdade de género, promover a participação activa de mulheres e de pessoas com deficiência nos comités locais de gestão do risco de desastres e nos programas de proteção social básica, bem como recolher dados desagregados por sexo, idade e deficiência para fundamentar o planeamento e a tomada de decisões.
No âmbito da assistência humanitária, foi defendido que a distribuição de ajuda deve considerar as necessidades específicas dos diferentes grupos da população, incluindo o fornecimento de produtos de higiene, medicamentos e dispositivos de apoio. Foi igualmente reconhecido o papel fundamental das organizações representativas das pessoas com deficiência nas ações de preparação, resposta e recuperação, contribuindo para que os Sistemas de Aviso Prévio Baseado no Impacto sejam mais inclusivos, eficazes e centrados nas pessoas, assegurando que ninguém seja deixado para trás.